Orientação com Cartas topográficas, itinerárias, hidrográficas e topográficas

O primeiro passo no sentido duma sobrevivência com êxito é saber ou determinar onde nos encontramos. Todos os anos há pessoas que se perdem e algumas morrem porque não dispunham de um mapa ou foram incapazes de utilizar eficazmente os que possuíam.

A forma mais simples de evitar este risco é saber onde se encontra em cada instante da sua viagem. Embora o mais provável seja não dispor de mapas cobrindo todo o terreno de todas as viagens que faca – especialmente viagens ao estrangeiro, onde, por vezes, é difícil obter mapas de confiança-, poderá permanecer orientado de forma geral conhecendo a direção que seguia e o país (ou região) sobre o qual se deslocava.

Se está a abandonar um navio ou um avião no mar e o tempo o permite, procure saber as suas latitude e longitude, a diferença angular entre os nortes verdadeiro e magnético, a direção mais curta para terra, a direção dos ventos predominantes, a corrente predominante das águas (se houver alguma) e a direção e distância para as rotas de navegação mais próximas.

Se for passageiro numa linha comercial (aérea ou oceânica), o capitão e a tripulação tomarão automaticamente o comando das operações de sobrevivência. Eles podem sentir que você não se deve «preocupar» com uma informação deste tipo. Chame-lhes a atenção para o facto de que lhes pode acontecer alguma coisa e de que quanto maior for o número de pessoas que estejam na posse de informação essencial respeitante à localização e a possíveis pistas de recolha, tanto mais provável será a cada um sobreviver.

Se estiver numa viagem de grupo ou safári com um guia, peça-lhe que o mantenha informado acerca do lugar onde se encontra e para onde irá. Estude com ele os mapas, tendo em atenção o seu deslocamento diário; pode suceder alguma coisa ao guia que o deixe a si privado do seu conhecimento especial sobre a região.
Leitura de cartas

Se a maior parte das pessoas exigissem saber ler uma carta, estariam totalmente certas. É que uma carta pode fornecer ao leitor uma grande quantidade de informação que não é imediatamente visível a olhos não industriados. De facto, a leitura de cartas pode ser, muitas vezes, um difícil e fascinante campo de estudo demasiado complexo para ser aqui abordado em grande pormenor. 0 que aqui apresenta-nos é uma explicação básica sobre cartas; a relação entre as cartas e as coordenadas geográficas ou linhas de latitude e longitude e o uso simples de uma carta associada a uma bússola.

0 Exército e a Armada ministram cursos de leitura de cartas ao seu pessoal (alguns duram oito semanas, uma indicação sobre o quanto pode ser complexo este assunto aparentemente simples).

O que é uma carta?
A finalidade de uma carta é permitir-lhe visualizar uma porção da superfície da Terra tal como uma ave voando sobre ela vê o terreno. Evidentemente, devido à variação de ângulos e distâncias, nem mesmo uma ave vê todas as características do terreno nas suas devidas proporções e formas. Por isso, o cartógrafo tem de se concentrar nos pormenores que respondam aos interesses especiais do utente da carta.

Por exemplo, um condutor de camião não tem interesse nenhum em possuir uma carta com pormenores tais como edifícios individualizados ou profundidades dos vários rios que atravesse. Se as estradas da sua carta parecem muitas vezes mais largas que as cidades que atravessam, o condutor aceita tal distorção porque assim ela serve melhor as suas necessidades.

Cartas itinerárias
Mais corretamente designadas por cartas planimétricas, são mais úteis para nos deslocarmos do ponto A para o ponto B ao longo de um caminho ou estrada. Numa situação de sobrevivência, porém, elas são, certamente, melhores que nada. As cartas itinerários orientam-se pela bússola, a qual o pode ajudar a determinar a direção para a área habitada ou de abastecimento de água mais próxima. Usando uma escala de distâncias ou um compasso, pode também estimar a que distancia está o ponto que deseja alcançar. Mas, mais importante ainda, pode determinar a direção e a distancia para o caminho ou estrada mais próxima, aumentando- lhe assim as hipóteses de ser recolhido. Se estiver perdido, procure um cruzamento de estradas ou entroncamento, o que lhe duplicará as probabilidades de encontrar um carro ou camião.

Cartas hidrográficas
São cartas de navegação indicando profundidades das águas, localização de canais, balizas e outros pormenores. Uma vez que quase não incluem pormenores de terra, não têm aplicação numa expedição terrestre, mas são de importância vital em viagens através do mar ou ao longo das costas.

Os pilotos de avião usam uma espécie diferente de cartas; estas assinalam a localização dos aeroportos, as áreas interditas aos voos e as coordenadas Loran4. Embora essencial para as tarefas específicas do piloto, esta informação é de pouca utilidade para o sobrevivente.

Cartas topográficas
Estas cartas mostram todos os pormenores das cartas planimétricas mais as formas e elevações do terreno. São o tipo mais útil de cartas que se deve possuir numa situação de sobrevivência.

Informação marginal
Ninguém tentaria reunir os componentes de um móvel sem primeiro ler as instruções. As cartas também possuem um conjunto de instruções. Estas instruções, designadas por informarão marginal, encontram-se inseridas em todas as cartas topográficas. A informação marginal explica os sinais convencionais, indica distâncias e fornece uma escala para conversão das distâncias cartográficas em distâncias horizontais no terreno. A informação adquirida através destas notas marginais pode ser uma ferramenta para a sua sobrevivência.

Para facilitar a identificação dos pormenores da carta, dando-lhes uma aparência e um contraste mais naturais, os sinais convencionais são também normalmente impressos em cores diferentes, cada cor identificando uma classe de pormenores. As cores variam com os tipos de cartas, mas numa carta topográfica normalizada de escala grande6 as cores usadas e os pormenores que cada uma representa são:

Preto – Casas, estradas, caminhos, muros, vias férreas, limites, etc.
Azul – Para a representação dos pormenores relacionados com a água (rios, ribeiros, lagos, lagoas, etc.).
Verde – Vegetação.
Sépia – Relevo (curvas de nível, etc.).
Encarnado – Também para casas, estradas, caminhos, etc.

As elevações são indicadas com curvas de nível a sépia. A altitude encontra-se seguindo- se uma das curvas de nível mais carregadas (designadas por curvas mestras) até se dar com um número que lhe interrompe a continuidade. Esse número está expresso em pés ou metros e todos os pontos da mesma curva estão à mesma distancia vertical acima do nível do mar, isto é, têm a mesma altitude. As curvas mestras aparecem, por norma, de cinco em cinco curvas de nível. Ao fundo de cada carta há uma anotação indicando se o número está em pés ou em metros e qual a distancia vertical entre curvas de nível consecutivas, designada por equidistância natural.

Ao fundo de cada carta topográfica aparece uma escala gráfica (barra) . Esta informação dá ao utente uma definição de escala para todos os pormenores naturais mais importantes. Por exemplo, se a carta indicar que a escala é 1:50 000, isto significará que uma unidade de medida na carta, em pés, jardas ou metros, é igual a 50 000 unidades no terreno. Para além disto, a escala gráfica costuma ter, normalmente, barras graduadas em jardas, milhas e metros, de tal maneira que, se medirmos a distancia entre dois pontos na carta com uma simples tira de papel e a compararmos com uma das barras da escala gráfica, poderemos determinar diretamente a correspondente distância horizontal no terreno entre esses dois pontos. Para distâncias curtas, a escala inclui habitualmente subdivisões para a esquerda do zero, parte a que se dá o nome de talão.

Em Portugal podem adquirir-se cartas topográficas no serviço cartográfico do Exército (1:25 000) e nos Serviços Geográficos e Cadastrais. Enquanto os países de língua inglesa baseiam as suas coordenadas geográficas num meridiano de referência que passa por Greenwich, na Inglaterra, outros podem utilizar o meridiano das suas capitais ou do local onde se situe um observatório astronômico importante. Antes de darmos alguns exemplos, vamos explicar como é concebido o sistema de coordenadas geográficas.

Coordenadas geográficas
Se desenharmos um conjunto de anéis à volta da Terra, paralelos ao equador, e um outro conjunto norte-sul cruzando o equador segundo ângulos rectos e convergindo nos Pólos, formar- se-á uma malha de linhas de referência que permitirá localizar qualquer ponto da superfície do globo.

À distância de um ponto ao equador, quer esteja a norte, quer a sul deste, dá-se o nome de latitude. Aos círculos à volta da Terra paralelos ao equador dá-se o nome de paralelos.

Latitude e longitude
Os principiantes na leitura de cartas ficam, por vezes, confundidos por as linhas da latitude correrem de leste para oeste, enquanto as distâncias norte-sul são medidas entre elas. 0 segundo conjunto de círculos em volta do globo formando ângulos rectos com as linhas de latitude e passando pelos Pólos é o dos meridianos de longitude, ou, simplesmente, meridianos. De igual modo, as linhas de longitude correm no sentido norte-sul, mas as distancias leste-oeste medem-se entre meridianos.

Latitude e longitude
Os principiantes na leitura de cartas ficam, por vezes, confundidos por as linhas da latitude correrem de leste para oeste, enquanto as distâncias norte-sul são medidas entre elas. 0 segundo conjunto de círculos em volta do globo formando ângulos rectos com as linhas de latitude e passando pelos Pólos é o dos meridianos de longitude, ou, simplesmente, meridianos. De igual modo, as linhas de longitude correm no sentido norte-sul, mas as distancias leste-oeste medem-se entre meridianos.

Orientação de cartas
Para saber na carta onde se encontra, estude cuidadosamente o terreno circundante. Há algumas colinas ou picos, ribeiros ou rios, estruturas feitas pelo homem, tais como celeiros, torres ou linhas de caminho-de-ferro, nas redondezas? Escolha dois destes pormenores proeminentes e depois relacione-os com a carta. Embora todas as cartas se segurem de tal modo que possam ser lidas com o lado norte virado para cima, rode-a até que fique em correspondência com o terreno. A direção para onde estamos virados ou para onde queremos ir pode agora ser determinada pelas coordenadas geográficas da carta. A isto se chama orientar a carta.

Direções
Na vida quotidiana, as direções são expressas em termos como «direita», «esquerda», «em frente», etc., mas uma pergunta se impõe: «Para a direita de quê?» Os utentes das cartas precisam de um método para indicarem uma direção que seja precisa, adaptável a qualquer área do mundo e tenha uma unidade de medida comum. As direções expressam-se em unidades angulares, existindo vários sistemas em uso. A unidade angular mais comummente utilizada, contudo, é o grau, com as suas subdivisões em minutos e segundos.

0 grado é uma unidade angular que se encontra em algumas cartas estrangeiras. A circunferência tem 400 grados (um ângulo recto – 90° – equivale a 100 grados). 0 grado divide-se em 100 minutos e o minuto em 100 segundos. Esta unidade usa-se com o sistema métrico.

Para se medir qualquer coisa, tem de haver sempre um ponto de partida ou zero. Para se expressar uma direção através de uma unidade angular, tem de haver um ponto de partida ou zero e um ponto de referencia. Estes dois pontos definem a base ou linha de referencia. Há três linhas-base: o norte geográfico ou verdadeiro, o norte magnético e o norte cartográfico ou da quadrícula. Os mais comummente utilizados são o magnético e o cartográfico; o magnético quando trabalhamos com a bússola e o cartográfico quando usamos uma carta militar.

O norte geográfico é o ponto de intersecção de todos os meridianos ao norte do equador. 0 norte geográfico é habitualmente representado por uma estrela.

0 norte magnético é a direção do pólo norte magnético, indicada pela agulha magnética. É normalmente representado pela metade da ponta de uma seta.

0 norte cartográfico é definido pelas linhas verticais da quadrícula das cartas. Pode ser simbolizado pelas iniciais GN10 ou pela letra y.

0 método mais comum de expressar uma direção é o dos azimutes. Define-se azimute de uma dada direção como senda o ângulo horizontal que essa direção faz com a linha norte-sul contado a partir do norte e sempre no sentido do movimento dos ponteiros do relógio. Quando se pretende o azimute da direção definida por dois pontos na carta, unem-se os pontos por meio de uma linha recta e com um transferidor mede-se o ângulo formado pela linha norte-sul cartográfica e a linha desenhada entre aqueles dois pontos. A origem dos azimutes é o centro do círculo de azimutes.

Os azimutes tomam o nome da linha-base a partir da qual são medidos: azimutes verdadeiros ou geográficos a partir do norte geográfico, azimutes magnéticos a partir do norte magnético e azimutes cartográficos a partir do norte cartográfico ou da quadrícula. Assim, qualquer direção dada pode ser expressa de três formas diferentes: um azimute cartográfico se medido numa carta topográfica, um azimute magnético se medido com uma bússola ou um azimute verdadeiro (geográfico) se medido a partir de um meridiano.

Um azimute inverso é o reverso da direção de um azimute. É comparável ao fazer «meia volta». Para obter o azimute inverso de uma dada direção, some 180° ao azimute dado se este for inferior ou igual a 180° , ou subtraia 180° se aquele for superior ou igual a 180°. 0 azimute inverso de 180° pode ser 0° ou 360°.

A maior parte das cartas de escala grande apresentam um diagrama de declinações destinado a habilitar o utente a orientá-la corretamente. 0 diagrama mostra a relação entre os nortes magnético, cartográfico e geográfico. Nas cartas de escala média, a informação sobre a declinação é apresentada em nota à margem. Declinação de um lugar é a diferença angular entre o norte geográfico e os nortes magnético ou cartográfico.

 

Sobre Felipe Barros

Adoro a Deus nosso Senhor e apaixonado pela Natureza. Programador HTML e eterno viajante.
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